É desconhecido? Ecaa, não quero ver!

Há um tempo eu estava conversando com uma amiga e entramos em uma discussão sobre o que são filmes bons. Ela acreditava veemente que os considerados realmente bons eram aqueles conhecidos, aclamados pela crítica, que possuíam o peso do nome de atores famosos em seu elenco. Quais são eles? Os hollywoodianos, é claro.
Será mesmo que estes são os melhores?
Existem uma infinidade de filmes que são reconhecidos pela mídia, são aclamados pelo público, ganham milhões em suas estreias, mas definitivamente não acrescentam em nada ao legado cultural da humanidade. É tudo sempre a mesma coisa: Novas versões dos contos de fadas,  filmes de pré-adolescentes, de super herói ou enxurradas de adaptações de livros que procuram desesperadamente substituir Harry Potter.
Não estou tentando desmerecer os filmes de hollywood de forma alguma, até porque eu sou uma consumidora deles. Em meio a massa, existem muitos enredos bons que merecem ser contados, mesmo que neles sejam utilizados diversos clichês. O que estou tentando fazer é: tentar colocar na mente das pessoas que não só os filmes de Hollywood ou da Wanner, ou os livros americanos, desenhos animados estrangeiros que prestam.
Fala sério, quem nunca ouviu alguém dizer: “Ah, é brasileiro, então nem vou assistir, deve ser ruim”, ou, “não vou pagar para assistir um filme que ninguém conhece”. Digam-me pessoal, onde está a curiosidade e senso crítico de vocês? Primeiro: dizer que coisas brasileiras não prestam é desmerecer a capacidade criativa dos nossos cidadãos. É dizer que você, eu ou qualquer outra pessoa que viva no Brasil não tem capacidade de criar algo que seja digno de aplausos. E sim, nós somos capazes, muitos artistas estão aí para provar isso. Segundo: dizer que coisas desconhecidas são ruins é um tanto cruel. Só porque um filme ou um livro ou qualquer outro produto cultural não é conhecido ou aclamado pela mídia, que ele não possa transmitir algo bom. Às vezes o fato de muitas pessoas não curtirem esse tipo de coisa é a falta de verba dos criadores para investirem em um projeto, mas como eles vão conseguir verba se ninguém os consome? É necessário que se dê uma chance ao desconhecido, ao brasileiro, para que eles cresçam.
Não podemos ficar presos em uma bolha, consumindo apenas o que é considerado bom para uma mídia que tem a manipulação como seu esporte favorito. Temos que estar abertos à coisas novas, afinal, se nós possuíssemos impregnado em nossa mente que “o desconhecido não é bom”, ninguém realmente iria querer passar por diversos estágios da vida. Nós damos uma chance para experimentar coisas novas na vida, então por que não escapamos um pouco da formula dos blockbusters ou best-sellers e nos aventuramos naqueles livros e filmes considerados sem nome, sem fama, assim como nós, meros desconhecidos. Mas isso não quer dizer que somos ruins, quer?

A título de curiosidade:
A Garota da Capa Vermelha. Sem dúvida uma das grandes apostas (fracassadíssima) de Hollywood, principalmente com o sucesso de Once Upon A Time e outras adaptações de contos de fadas. Pecou em tudo. Pecou na direção, pecou nos diálogos, pecou na escolha das cenas, pecou na tentativa extremamente forçada de transformá-lo em um novo crepúsculo (um lobisomem que fala yay (?)), usando quase a mesma fórmula deste. Apesar de tudo, a história é muito boa e, acredito que se fosse feito da maneira correta, poderia ter sido realmente considerado algo bom. Mas, na minha opinião, o filme beira a falta de nexo.
Medo. Um filme conhecidíssimo na Coréia, o meu favorito do mundo todo! Possui um enredo tão brilhante e inteligente. Uma pena dizer que muitas das pessoas para quem comentei sobre ele, não quiseram assistir pelo simples fato de nunca terem ouvido falar, ou então: Ah, é coreano? Pfff, não vou assistir um filme coreano! Quem sabe não fazem um remake americano… (detalhe: sim, fizeram um remake: O Mistério das Duas Irmãs. E sim, é um bom filme, mas ele dá tudo mastigadinho para você, já o original é necessário que se assista mais de uma vez para que tudo fique compreendido). – Um dia farei um post só dele <3
Histórias de Amor Duram Apenas 90 minutos. Uma filme brasileiríssimo e uma comédia romântica completamente diferente de tudo que você já viu por aí. Não cai na mesmice dos filmes blockbusters que seguem o mesmo gênero e, cara, é muito, muito legal. O final nos deixa com aquele sentimento de “Nãaao, não termine agora, quero saber mais!!”. Realmente é um diferencial, sem falar nas atuações sensacionais <3 Talvez também escreva sobre ele em uma outra oportunidade.

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Um comentário sobre “É desconhecido? Ecaa, não quero ver!

  1. Espero que você tenha conseguido abrir um pouco a cabeça da sua amiga, mas é importante dizer que o contrário também acontece, ou seja, algumas pessoas rechaçam os blockbusters hollywoodianos e idolatram apenas os filmes do “circuito alternativo” ditos desconhecidos. É muito comum eu indicar filmes desconhecidos para amigos, estes que só assistem filmes no shopping, e eles elogiarem, bem como indicar filmes que estão no shopping a outro grupo de amigos que só assistem filmes do circuito alternativo e também receber elogios. O fato dos blockbusters possuírem um orçamento maior, possibilitando maior divulgação, é um fator que as empresas (UCI, Multiplex, Cinemark…) levam em consideração no momento da escolha dos cartazes para serem exibidos, isso é natural no mundo empresarial, tendo em vista que quanto mais se divulga, mais se consome, mais lucro.
    Quanto aos filmes brasileiros, posso dizer que o investimento que eles recebem do governo é uma piada se comparado aos investimentos dos filmes americanos. Conseguir um patrocínio decente é extremamente difícil, produtores vivem praticamente mendigando e, às vezes, pagando do próprio bolso. Padilha ter feito “Robocop”, com um orçamento maior do que 130 milhões de dólares, foi motivo de ter uma capa da Veja só por isso. Salvo engano o filme que mais custou para ser produzido no Brasil foi “Nosso Lar” com orçamento de 20 milhões de reais. Complicado competir com filmes internacionais, mas mesmo assim alguns filmes brasileiros com baixo orçamento conseguem se sair muito bem. Só para citar alguns: Cine Holliúdy (orçado em 1 milhão com arrecadação de 4,5 milhões), Estômago (orçado em 800mil), Tropa de Elite 1 e 2, Minha Mãe É Uma Peça, Olga, O Auto da Compadecida, Gonzaga – de Pai pra Filho, O palhaço, Central do Brasil, Romance, Besouro… quem fala que o cinema brasileiro não presta é porque não o conhece ou não entende nada de cinema, mas não tem como comparar ao cinema americano, e olhe que o cinema americano também tem muito filme ruim.

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